Ementa do almoço: "Poesia"

 

  Hoje como estou em casa e não posso  fazer nada para não gastar as poucas energias que tenho por estar sem comer desde ontem, resolvi dar uma volta pela Poesia de Florbela Espanca, e este soneto encantou-me e  revi-me nele e aqui o transcrevo para vós
 
Lágrimas Ocultas


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
 
  Poema de Florbela Espanca                                                        M-I-P
publicado por linhaseletras às 13:47
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