Sábado, 12 de Janeiro De 2008

Nunca se esquece o passado

Cá estou eu novamente para escrever mais um pouco,para começar vou fazer uma correcção no texto desta tarde. eu disse que fazia 43 anos que o meu marido tinha ido para o ultramar ,mas foi há 42 que é a idade da minha filha .
Os anos passaram mas nunca se esquece aquilo porque se passou e que marcou tanta gente ,pela negativa, e continua a fazer muita gente sofrer é uma marca que fica gravada  a »ferro e fogo» para o resto da vida ,embora nós façamos um grande esforço para levar uma vida o mais normal possível, e eu passo para o papel aquilo que vai cá por dentro e assim fico mais aliviada.
Mas não gosto muito de lembrar esses tempos porque fico angustiada por isso vou escrever mais um poema que foi escrito há pouco tempo.
 
 
Não posso esquecer
                                         
Não me peçam para esquecer
O que foi o meu passado
Se recordar é viver
Não ponho a vida de lado
                                          
Vivi deixando escapar
Aquilo que tinha feito
Não conseguindo agarrar
O que era meu por direito
                                         
Com sentimento de culpa
Puz a alegria de parte
Quando cheguei a adulta
Não consegui o resgate
                                      
Perdi os meus melhores anos
Numa vida sem sentido
Causaram-me muitos danos
Foi muitos anos perdidos
 
                                           
Bom fim de semana para todos     
 
 
 
 
sinto-me:
publicado por linhaseletras às 23:28
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Revolta

Olá cá estou eu de novo! Estou muito cansada, e para descansar, antes de começar com a lida da casa vou escrever sobre um tema que a minha geração conhece muito bem.
Faz hoje 43 anos que eu sofri um dos maiores desgostos da minha vida, foi o dia em que o meu marido um jovem de 21 anos partiu para a »Guerra» e eu uma menina de 15 anos, grávida
de 8 meses via assim partir  o amor da minha vida sem saber se o tornava a ver, podem imaginar o que se passa numa cabeça tão jovem e á espera de uma filha.
E eu  ao pôr este titulo no »post» tem a ver com o que se foi passando ao longo do tempo, como eu já disse  noutro texto que escrevi á já algum tempo, os nossos homens iam para a »Guerra» sendo umas pessoas e voltavam outras completamente diferentes,por isso há tanto sofrimento nas famílias desses homens onde eu estou incluida e daì vem a revolta, por nos terem tirado o direito a ser felizes.
Vou acabar por aqui porque começo a ficar deprimida e eu não quero, assim vou escrever uns versos que já devem ter 30 anos mas que retratam bem esses tempos
Partida, ausência,e chegada
                 
No Verão quando partiste
O teu lugar ficou quente
O meu olhar ficou triste
Porque tu estavas ausente
                             
Quando o Outono chegou
Ficaram as àrvores nuas
O meu coração parou
Com tantas saudades tuas
                    
Quando chegou o Inverno
Veio com ele a neve fria
O nosso Amor sempre Eterno
Brilhava com alegria
                  
Chegou a Primavera
Com ela tornaste a vir
E deixei de estar á espera
Voltei de novo a sorrir
                      
M-I-PATA
Nos 26 meses de ausência todos os dias escrevia um »Aerograma» conserteza sabem o que é, pelo menos a minha geração sabe de certeza eram uma espécie   de carta  que o»   M - N -F « dava para nós escrevermos   aos militares que estavam na Guerra , não vou falar mais disto para não ficar triste.
,
publicado por linhaseletras às 15:29
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