Revolta

Olá cá estou eu de novo! Estou muito cansada, e para descansar, antes de começar com a lida da casa vou escrever sobre um tema que a minha geração conhece muito bem.
Faz hoje 43 anos que eu sofri um dos maiores desgostos da minha vida, foi o dia em que o meu marido um jovem de 21 anos partiu para a »Guerra» e eu uma menina de 15 anos, grávida
de 8 meses via assim partir  o amor da minha vida sem saber se o tornava a ver, podem imaginar o que se passa numa cabeça tão jovem e á espera de uma filha.
E eu  ao pôr este titulo no »post» tem a ver com o que se foi passando ao longo do tempo, como eu já disse  noutro texto que escrevi á já algum tempo, os nossos homens iam para a »Guerra» sendo umas pessoas e voltavam outras completamente diferentes,por isso há tanto sofrimento nas famílias desses homens onde eu estou incluida e daì vem a revolta, por nos terem tirado o direito a ser felizes.
Vou acabar por aqui porque começo a ficar deprimida e eu não quero, assim vou escrever uns versos que já devem ter 30 anos mas que retratam bem esses tempos
Partida, ausência,e chegada
                 
No Verão quando partiste
O teu lugar ficou quente
O meu olhar ficou triste
Porque tu estavas ausente
                             
Quando o Outono chegou
Ficaram as àrvores nuas
O meu coração parou
Com tantas saudades tuas
                    
Quando chegou o Inverno
Veio com ele a neve fria
O nosso Amor sempre Eterno
Brilhava com alegria
                  
Chegou a Primavera
Com ela tornaste a vir
E deixei de estar á espera
Voltei de novo a sorrir
                      
M-I-PATA
Nos 26 meses de ausência todos os dias escrevia um »Aerograma» conserteza sabem o que é, pelo menos a minha geração sabe de certeza eram uma espécie   de carta  que o»   M - N -F « dava para nós escrevermos   aos militares que estavam na Guerra , não vou falar mais disto para não ficar triste.
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publicado por linhaseletras às 15:29
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